• por Gent Odonto
  • 17 de junho de 2020

    No Brasil as taxas de fecundidade e mortalidade da população estão reduzindo, está ocorrendo uma inversão da pirâmide etária brasileira. Com aumento da expectativa de vida dos brasileiros, é crescente a preocupação da odontologia com o atendimento de pacientes idosos.

    Odontogeriatria foi reconhecida há alguns anos, pelos órgãos regulamentadores da odontologia, seguindo a estimativa crescente da população com idade acima de 60 anos. Esse reconhecimento teve como objetivo a ressocialização da população idosa e prevenir as doenças bucais que podem aumentar os riscos de doenças sistêmicas.

    Quando chegam, aos 60 anos, aumentam em até 50% as chances do indivíduo ter doenças sistêmicas (saúde geral) que podem afetar a saúde bucal intensificando as condições gerais de saúde do indivíduo. Como exemplo, pode ser citado o Diabetes, que quando descompensado pode agravar as doenças da gengiva e ao mesmo tempo, quando o paciente apresenta um quadro de inflamação ou infecção das mesmas, ocorre um desequilíbrio das taxas glicêmicas (açúcares) no sangue.

    Com a crescente quebra dos paradigmas entre a medicina e a odontologia e os estudos paralelos entre as disciplinas médicas-odontológicas, a Odontologia tem que estar preparada para o correto atendimento aos pacientes com necessidades especiais, portadores de doenças sistêmicas graves e pacientes idosos. O mais importante é que o especialista conheça a doença, e sua evolução para que consiga segmentar o tratamento segundo as alterações constantes no decorrer do tempo.

    Tanto para profissionais como para pacientes, é interessante saberem como se portarem frente aos pacientes com essas características e necessidades como: domínio total do conhecimento das doenças sistêmicas; conhecimento das medicações e seus efeitos bucais; repercussão das mesmas na cavidade oral; observar alterações psico-cognitivas e motoras que afetam diretamente a higiene oral; entre outras.

    As doenças mais conhecidas pelos profissionais que cuidam de pacientes idosos são as cardiopatias que exigem cuidados anestésicos, já no diabetes  pode desenvolver problemas sérios de gengivas, reabsorção óssea, dificuldade de cicatrização dos tecidos periodontais; doenças de articulação como artrite e artrose que dificultam a higiene aumentando os níveis de cáries e problemas gengivais; doenças degenerativas mentais que levam o indivíduo a total dependência.

    Um dos principais sintomas que se observa é redução da produção de saliva o que pode levar a xerostomia (boca seca), aumento da concentração bacteriana, mau hálito, perda de paladar, desidratação de lábios, língua fissurada, baixa umidificação do alimento e dificuldade de deglutição.

    Ainda podemos citar desgastes do esmalte e perdas dos dentes o que levam a deficiência da mastigação, e má digestão, além do incorreto encaixe dos dentes e dores na articulação têmporo-mandibular. Com a perda dos dentes ainda perde-se a dicção e a fala fica prejudicada.

    Outros dois fatores importantes quando falamos em envelhecimento e perdas de estruturas dentais são as alterações de fisionomia e estética o que pode levar o paciente da terceira idade a quadros depressivos e de baixa autoestima.

    A gengiva e o osso também sofrem alterações devido a ação de bactérias, falhas no processo de higiene e baixa vascularização resultando em uma deficiente resposta imunológica do paciente, levando a inflamações gengivais, perdas ósseas, mobilidade e migração dental.

    Odontogeriatria une-se com as especialidades médicas para melhorar as condições de tratamento para o idoso, aumentando a qualidade de vida, devolvendo aos pacientes, totais condições mastigatórias e estéticas. Cada dia mais, essa especialidade cresce tendo em vista as necessidades e cuidados especiais que têm esses pacientes.

    José Américo Bottino Junior – CRO/SP 83359
    Cirurgião-Dentista, especialista em periodontia e Odontologia Hospitalar